
Por um Conselho Municipal de Cultura Popular
Um caminho que se faz ao andar. Realmente discutir Conselho Municipal de Cultura parece como percorrer uma trilha no escuro, carregando em mãos um facho de informações que não ilumina pouco mais do que alguns metros.
Primeiro pela própria definição de Cultura. Incontáveis intelectuais, artistas e filósofos refletiram sobre esse tema e não acredito que seja possível chegar em uma conclusão exata. Talvez até porque a própria Cultura e suas definições são cambiantes, mudam conforme o lugar e tempo histórico. Para Isaura Botelho ”Cultura é tudo que o ser humano elabora e produz, tanto de origem simbólica quanto material”. Ruth Benedict diz “A Cultura é aquilo que liga os homens, são as idéias e padrões que têm em comum, a organização coerente de seu comportamento.”
É imprescindível entedermos Cultura como um fenômeno antropológico que não se limita ao fazer artístico, mas perpassa todas as esferas do comportamento humano. É por isso que essa discussão deve inserir toda a comunidade. O que ainda vemos em Itu, infelizmente, é uma noção que se assemlha muito ao discurso europeizante, de que existiria um “centro cultural” na cidade que produz e usufrui cultura e que caberia aos gestores culturais “levar cultura” para as comunidades periféricas, seres supostamente sem cultura, aculturados. Essa é uma visão que temos de combater. Não se leva Cultura para ninguém, assim como não se resgata cultura. Cultura é inerente ao homem, não importa a sua origem ou condição social. Cabe aos gestores e mediadores culturais fomentarem e organizarem as manifestações culturais de cada comunidade, seja na periferia, seja no centro e respeitar os saberes e gostos locais.
Por isso é importante a conscientização, para que possamos compor um Conselho que realmente represente as diversas comunidades que integram o cenário cultural ituano. Para que não se torne um grupo de “especialistas” gerindo a verba que vai financiar o teatro no centro em espaço fechado, o concerto de música clássica no centro com pouco público. Claro que essas manifestações devem acontecer, mas deve também acontecer cultura da periferia, feita pela periferia, para a periferia.
Temos o triunfo em mãos de termos um Ministério da Cultura que raciocina cultura desse modo – quem faz cultura é a comunidade e não o Conselho ou qualquer órgão público como uma Secretaria.
Temos de aproveitar esse momento, de termos a instância maior de nosso lado e democratizar a discussão.
Raphael Medeiros
Vice-Presidente
Ponto de Leitura Biblioteca Com.
Prof. Waldir de Souza Lima
leaoalbino@hotmail.com
Vice-Presidente
Ponto de Leitura Biblioteca Com.
Prof. Waldir de Souza Lima
leaoalbino@hotmail.com